Em 2022, o International Energy Efficiency Scorecard, do Conselho Americano para uma Economia Eficiente em Energia, avaliou as políticas e o desempenho dos 25 países que mais consomem energia em quatro categorias principais: esforços governamentais, edificações, indústria e transporte. O Brasil ficou em 19º lugar.
Com o objetivo de promover a recuperação econômica, é importante melhorar a eficiência energética no país para garantir a segurança energética e atender às demandas de descarbonização impostas pela agenda ambiental.
Apesar do projeto da Empresa de Pesquisa Energética prever ganhos na eficiência energética e o Brasil investir fortemente na produção de energia renovável, o Conselho observa que os gastos governamentais na área ainda são insuficientes em comparação a outros países avaliados.
Dessa forma, é fundamental que sejam implantadas novas usinas de energia renovável, com foco em usinas solares, para que o Brasil possa superar seus desafios e alcançar seu potencial em eficiência energética.
Desafio 1: Captação de recursos
Embora o Ministério de Minas e Energia reportou uma taxa de retorno de R$12,66 para cada real investido em eficiência energética, as empresas ainda têm dificuldade em investir nesse tipo de projeto devido à escassez de opções de crédito disponíveis e acabam por gastar seus recursos em outros projetos considerados mais urgentes.
O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) oferece linhas de financiamento para projetos de eficiência energética, mas não há opções específicas para grandes indústrias ou usinas.
No entanto, durante a COP-26 em Glasgow, Escócia, o então presidente do BNDES, Gustavo Montezano, anunciou que a entidade usaria R$ 40 milhões do Procel para criar o Programa de Garantias a Crédito para Eficiência Energética (FGEnergia), um fundo garantidor para empréstimos voltados para projetos de eficiência energética, o que possibilitará novos investimentos em projetos de grande porte.
Desafio 2: Conhecimento dos benefícios
Como falamos no tópico anterior, muitos gestores ainda não percebem o impacto positivo que as políticas de eficiência energética podem ter, tanto financeiramente para as empresas quanto socialmente.
A Abrace, em parceria com a CNI, desenvolveu uma metodologia para mostrar às indústrias de segmentos que mais consomem energia como melhorar sua eficiência energética através do Programa Aliança.
Em 2017, o programa foi aplicado em 12 plantas industriais, identificando projetos que resultaram em economia anual de R$161 milhões para as empresas.
Mais da metade dessas iniciativas já foram implementadas, e a maioria não requer a troca de equipamentos, mas sim a otimização de processos. Como resultado, as empresas tiveram uma redução de R$87 milhões por ano nos custos operacionais e economizaram 175.291 MWh.
Desafio 3: Capacitação profissional
É difícil transmitir o recado de responsabilidade ambiental aos líderes da empresa sem parecer superficial. Mesmo que sejam promovidos cursos e palestras sobre o assunto, caso ocorra algum problema financeiro, o diretor pode decidir cortar gastos e isso pode afetar a mensagem da sustentabilidade.
Além disso, a falta de educação sobre o assunto torna mais difícil conscientizar profissionais que nunca tiveram contato com o tema de forma aprofundada.
Apesar dos obstáculos existentes, as vantagens proporcionadas pela adoção de gestão energética eficiente são substanciais tanto para as empresas quanto para as usinas sustentáveis. É uma forma de se alinhar ao cenário mundial em relação à proteção ambiental e às tendências do mercado financeiro.
