A transição energética já não é mais uma meta de futuro, é uma oportunidade real e uma necessidade para atender uma sociedade preocupada com as mudanças climáticas e a busca por uma economia com menos emissões de carbono.
O Brasil assumiu compromissos na COP26 e a energia tem um papel central nessa transformação econômica.
A democratização da energia é o último dos 5D’s da transição energética, mas é um dos aspectos mais importantes.
descarbonização
Redução de emissões de gás carbônico na atmosfera por meio da adoção de tecnologias que permitam o uso de fontes de energia limpas e renováveis.
descentralização
Produção de energia de forma descentralizada, por meio de tecnologias como geração elétrica distribuída, armazenamento de energia e eficiência energética.
digitalização
Adoção de tecnologias digitais para melhorar a gestão de dados e atividades relacionadas ao setor energético.
desenho de mercado
Remodelação da estrutura de negócios do setor, incluindo regulação inovadora e alocação mais equilibrada de riscos e custos entre os agentes.
democratização.
Dar aos consumidores mais poder de escolha e participação no processo de transição energética.
Neste artigo vamos explorar profundamente o papel da democratização do acesso à energia elétrica na transição energética. Continue conosco para entender esse processo fundamental, principalmente em um país como o Brasil.
Transição energética democrática e justa.
A democratização da energia é fundamental para a transição energética, permitindo o acesso amplo, inclusivo e participativo à energia e priorizando a justiça social na utilização dos recursos energéticos.
Com a digitalização cada vez mais presente nas atividades econômicas e a dependência crescente da energia no modo de vida, o acesso à energia barata e de qualidade se torna uma questão de igualdade social que possibilita, principalmente aqueles que enfrentam dificuldades econômicas mudarem a situação e adquirirem melhor padrão de vida.
As mudanças climáticas impactam de maneira desproporcional os grupos mais vulneráveis, muitas vezes dependentes de atividades econômicas relacionadas a fontes fósseis.
Para enfrentar esse cenário, é preciso acelerar a descarbonização da matriz energética, ao mesmo tempo em que se reforça o sistema de proteção desses grupos com
alternativas produtivas que ofereçam perspectiva de renda para essas populações.
Democratização da energia no brasil pela microgeração
A microgeração de energia, caracterizada pela produção distribuída e descentralizada, é uma das principais frentes da transição energética no Brasil, com crescimento acelerado.
Em abril de 2022, as unidades consumidoras com geração distribuída já produziam cerca de 317,7 MW de energia solar, principalmente gerada em telhados domésticos.
A expectativa é que a energia solar represente 15% da matriz energética brasileira até 2024 e 32% até 2040, gerando empregos, renda e melhor qualidade de vida para as comunidades locais.
Por esse motivo, existem iniciativas de se incorporar essa tecnologia nos programas de habitação e no setor público.
Um exemplo é a instalação de 9.144 painéis fotovoltaicos em mil casas do programa “Minha Casa Minha Vida” em Juazeiro, na Bahia, que contribuiu significativamente para o acesso de toda a região a uma energia sustentável com custos reduzidos.
A abertura do mercado livre impulsionando a democratização de acesso à energia
A abertura do mercado livre de energia no Brasil está ampliando a democratização de acesso à energia elétrica, permitindo que os consumidores possam escolher seu fornecedor de energia elétrica.
De acordo com estudos da Associação Brasileira dos Comercializadores de Energia (Abraceel), a competição e redução de ineficiências no mercado livre tem o potencial de gerar redução nos gastos com energia elétrica, empregos e desconto médio na compra de energia, impulsionando a transição energética do país.
A migração de consumidores do mercado regulado para o livre pode gerar uma diminuição no preço da energia, permitindo a redução média na conta de luz de até 15%.
Esse benefício pode contribuir para desacelerar a inflação no país e democratizar o acesso à energia elétrica em um país continental como o Brasil, possibilitando um avanço significativo na transição energética.
A expectativa de redução de preços e de deflação é significativa em um país onde os consumidores estão acostumados a receber contas de luz com valores crescentes.
A abertura do mercado livre, além de permitir aos consumidores a escolha de fornecedor de energia elétrica, pode promover a entrada de fontes renováveis e gerar um impacto positivo na economia do país, impulsionando a democratização da energia.
Grandes usinas solares e a democratização da energia no Brasil
As grandes usinas solares também têm sido importantes no processo de democratização do acesso à energia no Brasil.
Com a geração de eletricidade em grande quantidade, essas usinas permitem que mais pessoas tenham acesso a uma fonte limpa e renovável de energia elétrica.
Além disso, elas são capazes de reduzir a pressão em outras fontes, como as hidrelétricas, permitindo que mais pessoas tenham acesso à eletricidade em suas casas e empresas a um custo mais acessível.
Com a expansão das usinas solares, é possível ampliar a geração de empregos, especialmente em regiões onde a economia é mais frágil.
Com mais empregos gerados, a população dessas regiões pode melhorar sua qualidade de vida, contribuindo para uma sociedade mais justa e equilibrada.
O desafio da democratização energética no Brasil
Sendo um país caracterizado por elevado grau de desigualdade econômica e social, o Brasil enfrenta um grande desafio: realizar a transição energética realmente sustentável e justa.
Ou seja, a descarbonização da matriz energética não basta, é preciso também uma mudança para uma economia mais inclusiva, que proteja as camadas mais vulneráveis da sociedade e promova a democratização do acesso à energia sem oprimir ainda mais as classes menos favorecidas.
Porém, o Brasil com sua ampla diversidade cultural e de recursos naturais tem enorme potencial para criar um modelo de desenvolvimento sustentável baseado em uma economia de baixo carbono que democratize o acesso à energia e todas as oportunidades relacionadas a ela.